ESPIRITUALIDADE OU MATERIALIDADE

 Terça 05 Janeiro 2010 - 20:17:08 | Vale de Bênção

Dias atrás, fui convidado a participar como conferencista, em dois encontros: um deles, tratando sobre “ Dilemas do Pastoreamento Contemporâneo”, em Brasília, e outro sobre “ Espiritualidade”, em Goiânia.

Na verdade, sinto-me cada dia mais “ ignorante” acerca das coisas, fatos
e mistérios que me rodeiam, um ponto pequeno, fugidio, cercado de espaços infinitos, um ser interrogante envolto em infindáveis enigmas, tendo cada dia mais perguntas em busca de respostas.Às vezes rio sozinho, em minhas madrugadas silenciosas de meditação, oração e estudo, quando percebo a forma
pretensiosa com que os filósofos e teólogos engendram infindas e difíceis “explicações” ou formulas, para se entender e interpretar Deus, o homem e o universo.

São tantos saberes, ciências, postulados, regras, leis, escrituras, doutrinas, e mais numerosos aqueles dispostos a fazer qualquer coisa, para enquadrar tudo em seus sistemas de pensamento a todo custo!

Ai está a guerra de discursos, a prodigalidade de raciocínios (lógicos ou não,
honestos ou não), multiplicados “ ad infinitum”, construídos com esmero retórico, brilhantismo semântico e lingüístico, elaborados para defender a Teologia Clássica( Bíblica) ou o Teísmo Aberto
(requentada Teologia relacional)...

Como a grande maioria das pessoas, abraça teorias daqueles a quem admiram ou julgam competentes para “ pensar por elas”, e edificar construções teológicas – embora não entendendo nem quem faz nem quem compra – as idéias que “ lançam no mercado” dos ávidos consumidores de novas ideologias, facilmente viram sêleumas.

Eu particularmente, e isso é o que recomendo ao Ministério que Deus me confiou,
insisto em ficar com os pés firmes na Rocha da Revelação Bíblica, evitando a sedução da suposta lógica, que pretende enquadrar, enjaular Deus dentro dos arcabouços de minha alegada racionalidade!

Não estou pregando o sacrifício da razão!

Estou advertindo os que dela fazem uso, como critério supremo para avaliar questões, que não vão além da competência dela, e fariam bem se tivessem tal humildade.

Afinal, o que sabemos da razão humana como bússola para nos guiar em mares tão
incertos e cheios de enigmas?

De qual razão estamos a tratar? E os que compreendem sobre o que estou falando,
sabem a que me refiro, e nem vou entrar por esse caminho porque cansaria o leitor: a razão de Aristóteles? Freud nos fala que não somos tão racionais como pensamos (ah o inconsciente...), Marx veio mostrando como a razão supostamente pode ser “ falsificada”, a Relatividade e recentemente a Física Quântica, está a re-criar enigmas, levantar princípios de indefinições e incertezas.

Mas não é essa a realidade humana?

O que sabemos de Deus além do que já foi revelado por Ele?
Qual a percepção racional que podemos ter desse ser, indizível, indefinível,
indecifrável, inadjetivável?

Tudo bem, você e eu costumamos dizer que Ele é Eterno, mas, o que sabemos de Eternidade?

E que tal nossa catedrática opinião sobre o ser Imortal de Deus?

Talvez tenhamos mais competência escrevendo tratados sobre Imutalibilidade Divina...

Está bem, que tal então sobre a Infinitude da deidade?

Onde estou tentando chegar?

Minha gente, conhecemos o mundo através de categorias, e vemos e interpretamos as coisas através de sentidos, por meio de instrumentos tão limitados quanto tudo que nos diz respeito e é produzido
por nós.

Estamos submetidos a coisas como “ Tempo e Espaço”, e ainda não temos certeza plena nem sobre o que é matéria, muito menos sobre o que é “espírito”!

E nosso julgamento sobre suas Obras e modo de agir?

Vou negar o que não entendo, ou construir (requentar) proposições
teológicas – filosóficas para enquadrar o que está além de minha limitada
compreensão - a fim de que, de modo confortável, satisfaça minha consciência que tão pouca ciência tem?

Tenho certeza, que a angústia maior, geradora de toda a incerteza, não está em nossa pequena inteligência para esquadrinhar enigmas e perscrutar
mistérios: está em nossa dor, naquela dimensão que nos governa chamada
sentimento, frequentemente mascarada pela nossa suposta racionalidade
humana!

E daí, por não entendermos os arcanos da Soberana Vontade Divina, por não vermos o fim das coisas, nem através, nem o todo, construímos “ nossas certezas”, para mitigar nossa dor, quiçá satisfazer um pouco de nossa
bisbilhotice, dar algum descanso à nossa mente atormentada pela curiosidade, ou, na melhor das hipóteses, não abrir mão de uma frágil Fé, em face da ausência de respostas, “ salvando a honra divina” – de um Deus que dizemos ser Onipotente, Misericordioso, mas, que permite o que entendemos como o “ Mal”,
dentro de seu sistema...

Perdoem-me os que resolveram “privar” Deus de seus chamados atributos clássicos, retirando dele o conhecimento do futuro, a
Onipotência, Autoridade e Soberania para agir quando e como lhe convier, os que põem em “xeque” seu Amor e Justiça simplesmente porque não podem racionalizar ou justificar seus atos (!?).

“ Cinge agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei e tu me responderás.

Acaso anularás tu, de fato o meu juízo?

Ou me condenarás, para te justificares? “ (Jô capítulo 40, versos 7,8)

Creio em Deus mesmo não O conhecendo como gostaria, acredito na integridade de suas Obras, na grandeza de Sua majestade, na Autoridade de seu domínio.

Creio no que está escrito a respeito dele, e no que está escrito a respeito dos homens.

Ele, O GRANDE EU SOU!

Eu? Aquele que sem Ele, nada sou, com minha humanidade aberta para um futuro, no qual – quem sabe – terei uma visão plena daquele a quem amo e confio: “ Porque agora, vejo como em espelho (enigma), obscuramente; então, verei face a face. Agora, conheço em parte, então, conhecerei como sou
conhecido”. (I Epístola de Paulo aos Coríntios 13: 12).

E assim, “creio para tentar entender”, fugindo da tentação de “tentar entender para crer”!

Darckson Lira

Grande Abraço!

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Preletor e Conferencista Internacional