NÃO JULGUEIS, NÃO JULGUEIS!!!
O magnífico Jean- Gabriel de Tarde, falou magistralmente sobre – a meu ver – um fato bastante evidente: “A imitação opera primeiramente de dentro para fora. Julgamentos e desejos são copiados antes dos atos; crenças, antes dos modos de vida.”
Nossa tendência a julgar e impor nossas crenças e modos de ver e interpretar o universo (quase sempre copiados), sobre as outras pessoas foi, e sempre será uma fonte de tensão e hostilidades na mutua convivência.
O que tem me impressionado ao passar dos anos, é a observação de que nosso compromisso e tipo de relação que temos com uma causa, algo ou alguém, afeta irremediavelmente nossa capacidade de julgar o que quer que seja com isenção e justiça.
Aristóteles resumia todas as paixões em dois pólos: Amor e ódio!
E nossos olhos, nossa percepção da realidade, não enxergam as coisas como são de fato, porque sequer podemos ver um fenômeno por mais simples que seja, como um todo, mas sempre contemplamos somente aspectos do mesmo.
Aqui se explica o motivo de tantas visões dos fatos e das coisas que nos rodeiam: dependendo da disposição de nossa formação, ou sendo mais objetivo de nossa “paixão”, coisas feias são vistas como belas, belezas são feiúras, o amargo doce e o doce amargo, talentos menosprezados e idiotas aplaudidos, injustiças premiadas e o direito torcido!
Tenho visto pessoas emitirem valores de juízos e determinarem o certo e errado com uma facilidade e segurança de tal forma dogmática, que me leva a imaginar que “estamos cercados de gênios convictos de uma cientificidade in-errante, ou loucos à moda dos fanáticos imbuídos de ‘certezas divinas’.“
Fácil condenar e maltratar com piadinhas e hostilidades aos gays, viciados, políticos – ou como se diria na linguagem bíblica – “publicanos e meretrizes”, se não se tratam de nossos filhos ou filhas, amigos ou amigas...
Convivo com todo tipo de gente, e percebo isso no dia-a-dia: nossas decisões não se fundam sobre isto ou aquilo, nem como ou para que, mas no - “por que”- verei as coisas dessa ou daquela forma, e isso sempre será determinado pelos meus afetos, pela forma como me relaciono com o objeto de minha apreciação.
Neste ponto, qual de nós pode-se dizer juiz com absoluta imparcialidade, quando algo nos “fere diretamente na própria pele”? Quem julgará sem inclinação, se nos deixamos moldar dessa ou daquela forma, tendo este ou aquele padrão como critério único para aferir?
Sendo assim, não poderemos ter julgamentos e nos entregaremos à desordem e anarquia social?
Não é essa certamente a proposta, porque os prejuízos a se administrarem seriam evidentemente bem maiores. Mas penso que a ponderação, a reflexão antes de emitirmos nossos juízos, deve ser recomendada.
Vem-me à tona de minhas recordações agora, o caso da menina “Isabella Nardoni” – no presente momento parece que as provas que apontam o pai e madrasta foram reunidas de forma consistente, consciente e conscienciosa – mas, o que dizer da reação da sociedade, quando a imprensa fulminou o casal, estampando manchetes e imagens chocantes de reconstrução da cena do crime, levando a nação inteira a clamar pela prisão perpétua, pena de morte ou linchamento dos indigitados quando as investigações mal se iniciavam?
E o que aconteceu com todo aquele clamor indignado por justiça? Tivemos aquele arrastado pelas ruas e esquartejado, outro espancado pelos pais ate a morte, tem os que tiveram dezenas de agulhas espetadas pelo corpo em rituais de magia negra, e aquele outro envenenado e o outro e...
Se não desenvolvermos um senso equilibrado de justiça, lutarmos para formar visão crítica madura dos fatos e consciência moral elevada, prosseguiremos tangidos como boiada pelos vaqueiros dos governos, imprensa, religiosos e outros segmentos que sabem mexer com nossas emoções cada vez mais à flor da pele, nos levando pelos caminhos que bem entenderem.
Enquanto isso, você pode sair a qualquer hora da noite pelas cidades deste país, ver crianças perambulando pelas ruas se drogando, na marginalidade ou velhos dormindo sobre papelões e famílias inteiras desabrigadas sob viadutos.
Damos alguma esmola no natal, em ocasiões de campanhas de solidariedade, quando nos bombardeiam as emoções com imagens chocantes, espetaculares, e lágrimas, muitas lágrimas.
Não somos nem em sonhos ricos como a maioria dos políticos gananciosos e rapineiros deste país, mas muitos de nós possuí o suficiente para repartir com alguns que têm muito menos.
Até nos tornaríamos socialistas, e mais, comunistas mesmo, se fosse possível nos igualar (subindo) com nossos representantes públicos.
Mas o que pensar de todos perderem um pouco (ou muito, ou muitíssimo) para que nos igualássemos tendo de descer?
(sabe de uma coisa? Esse artigo está ficando chato...) e incômodo!
Julgar o governo? Condenar o sistema? Faz parte.
Mas e dentro de um contexto mais amplo, onde estamos inseridos, e somos parte do problema, tendo cada um sua parcela de culpa, seja maior ou menor?
Culpados ou inocentes?
Não sei.
Que Deus – o Justo Juiz - tenha piedade de nós!
Darckson Lira.
Grande abraço!
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Pr Darckson LiraPreletor e Conferencista Internacional |








