PENTECOSTALISMO OU NEUROPATIA
Convertido pela Graça Divina na década de 70, ainda muito jovem, me entreguei
de corpo e alma à Causa que abracei. Lembro-me das vigílias, onde varávamos a noite, vendo o dia amanhecer e persistíamos em orações até às 8 da manhã de domingo, indo em seguida para a Escola Bíblica Dominical. À tarde, tínhamos evangelização, e fizemos isso de forma ininterrupta por vários anos, nas praças de Fortaleza, com algumas incursões pelo interior do estado.
O grupo chamava-se Mensageiros da Paz, e ali tive a felicidade de conhecer minha esposa, e tantos outros jovens destemidos, que viviam em intensa consagração e busca a Deus. Não havia preocupação com roupas de griffe, nos alimentávamos moderadamente, porque jejum era coisa normal nas campanhas e propósitos. Éramos ao todo cerca de 50 jovens fixos, e muitos outros desejosos de se engajar naquela equipe: havia rapazes e moças, mas a convivência era extremamente salutar e pura - o lema era: “ Estamos apaixonados demais por Jesus para gastar tempo com namoricos”!
Tamanho era o ardor evangelístico, a ânsia de tornar Cristo conhecido por todos, que nem mesmo “ terreiros de macumba” eram poupados, e quantas vezes entrávamos para orar e pôr em liberdade possessos!
Com fervor busquei, e recebi o Batismo no Espírito Santo, com evidência de
línguas e outros sinais maravilhosos!
Senti-me ainda envolto em maior autoridade e com mais unção para Viver Cristo, proclamar
sua Palavra, implantar Seu Reino.
Por qual motivo citei esses fatos?
Por que hoje em dia, me sinto até feliz, quando não me convidam para certos eventos ditos “ Pentecostais” - e não me apetece - aceitar convites para pregar em festas, onde ao invés de genuíno mover do Espírito, se vê manipulação humana, alma ao invés de espírito, apelação e não verdadeira unção, explosões catárticas mas não autêntica manifestação do Espírito da Verdade!
Tenho dó, dos pregadores que sentem quase obrigação de “ fazer descer fogo do céu”, estremecem, gritam, se contorcem, pregam discursos ralos, multiplicam jargões –
porque ao povo que ali está, não interessa profundidade ou reflexão
aprofundada – a idéia é ter show de poder, espetáculo quase circense, para animar platéia.
Nada contra pulos e gritos (eu dou os meus), desde que as tais manifestações, sejam
conseqüentes, haja espaço para a reflexão, resultados permanentes em vidas, realmente mudadas pelo poder que alegam estar recebendo.
Ninguém confunda , crises emocionais, ab-reações psicológicas, manipulação quase a nível hipnótico de massas, tremeliques e desmaios fanáticos com Pentecostes e manifestação do Espírito Santo!
Se um bandido entra em uma reunião dessas, estremece, grita e salta até o teto, e ao sair dali continua roubando e traficando, aquilo foi qualquer coisa, mas nunca, o Espírito Santo.
Se um idólatra adentra em um local, vira os olhos em transe, sapateia, rodopia, diz que falou em línguas, e ao sair dali vai prostrar-se diante de um ídolo, ele teve contato com qualquer outro “ espírito” – mas, o de Deus, nunca!
E uma das coisas mais lastimáveis nisso tudo, é que, a “ espiritualidade” do povo e a unção do pregador, é medida em“ decibéis”, ou na quantidade de alvoroço (por vezes histérico ou vazio) que se produz na assistência...
Ninguém julgue que, ao dizer isso, me sinto melhor ou mais espiritual que qualquer um daqueles que ali estão – muito pelo contrário – penso que, justamente por me sentir tão necessitado e pecador, tão desejoso de conhecer mais a Deus e sua Divina Graça, quero poupar minha alma de situações e ambientes onde não haja espaço para reflexão e devoção consciente.
O Rei está voltando!
Não tenho tempo a perder com ficções religiosas, shows e espetáculos que promovam ídolos (de carne e osso), nem com pregadores mais preocupados em manter o nome em alta
(que a própria honestidade e autenticidade).
Desejo estar ao redor dos altares da Casa de Deus, entre adoradores que “ cubram
o rosto como os serafins”, e minha alma anseia por ouvir Mensageiros do Céu, homens e mulheres que anunciem a Mensagem da Cruz, sem medo de melindrar audiências e contrariar interesses de outros líderes que negociam espaços.
Afinal, uma boa liturgia, é bem melhor que toda essa neuropatia.
Darckson Lira.
Grande abraço!
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Pr Darckson LiraPreletor e Conferencista Internacional |








