IGREJA NO FUNDO DO POÇO
Que as instituições vivem uma crise sem precedentes na história humana, não restam
dúvidas: há uma espécie de hemorragia no tocante à credibilidade, que gera além
do desencanto, conseqüências sociais destrutivas e, imprevisíveis!
Confesso que me sinto incompetente para explorar a contento tema que engloba tão
diversos aspectos, e que, certamente nos remete a uma problemática de ordem extremamente complexa.
Tomando como socorro uma frase do pragmatista William James, eu diria que tudo isso tem
como origem, a sedução da “grande deusa-prostituta chamada sucesso”!
É claro, que, fatores como, “desejo de poder” e “pretensões financeiras”, são elementos
chave, nesse processo de vulgarização, mundanização e corrupção nos sistemas,
mormente religiosos...
Mascarar as verdadeiras intenções, os motivos reais que levam pessoas a abrir “Igrejas”,
e a introduzir nelas toda espécie de artifícios para alcançar os objetivos
colimados, é a parte mais fácil, ainda mais quando as massas parecem se deixar levar tão facilmente.
A falta de uma fé correta, conhecimento das Escrituras, talvez seja o passo inicial
para o deslize que vivemos.
Mas a pré-disposição íntima de caráter é fator preponderante para esse declínio no
qual vivem as Igrejas. Paulo disse que: “Não se envergonhava do Evangelho” – mas, sinceramente, não dá vergonha esse que temos visto por ai?
Abrir a televisão para escutar ainda que por alguns segundos esses que infestam os
espaços da mídia, é expor a alma ao desgosto face ao desrespeito e maneira blasfema com que conduzem seus rituais e discursos nauseativos. Como diz o próprio Deus em Isaías capítulo 1: “Estou cansado de os sofrer ”... (Ler Isaias cap. 1 vs 10 a 17).
São como
diria o “louco Nietzsche” (?), “ idéias com tom crepuscular, um odor de profundidade e de decomposição, algo de incomunicável e de repugnante que lança um bafo frio aos que passam”.
Mas outra questão vital é: “para que pensar”?
A sociedade e os meios de comunicação, em meio a um dilúvio de informações (sabe-se lá quando têm o propósito de desinformar), nos privam da própria capacidade de processar, digerir, fazer ligações e construir uma estrutura de pensamento.
Logo, esses probleminhas que vemos em ambientes religiosos, fazem parte de um
mal-estar cultural, uma conjuntura bem mais ampla do que possamos imaginar.
Motivos, desejos, e ambições meramente humanas, se ocultam ardilosamente sob o disfarce do discurso feito em nome de Deus: “Deus falou”, “ Deus quer”, “ Deus
mandou”, etc.
Como não suportamos muita realidade, uma crença, ainda que ilusória, impensada, sem
nenhuma necessidade de reflexão por parte de quem afirma crer, é bem-vinda para a grande maioria das pessoas. É duro demais ter de assumir as responsabilidades e conseqüências de seu próprio destino: transferir a responsabilidade é a solução encontrada pelos que enganam e estão sendo enganados...
“Ou foi Deus, ou sua falta de fé, nunca porque a vida simplesmente é o que é”!
Do mesmo modo, nunca nos desvencilharemos daquilo que somos por natureza animal (cérebros reptilianos) – instintos e impulsos que não passam pelos processos conscientes
de nosso cérebro (neocortical) – necessitamos vez ou outra, nos entregar a irracionalidade, dando vazão ao nosso estado mais primitivo que inclui curvar-se ante o desconhecido, aceitando-o cegamente, para evitar
questionamentos que poderiam nos tirar “o encanto e a magia da existência”.
Talvez esses elementos que citei, com uma mistura de outros – que só sabe Deus -,
abram uma brecha e nos permitam divisar um pouco esse inexplicável fenômeno de
declínio dos sistemas, e isso incluí os religiosos: não sei onde é o fundo do
poço, mas se não já chegamos, estamos bem perto!
As loucuras que temos visto em “igrejas” ditas evangélicas, as mensagens consumistas, o incentivo à materialidade, a crendice e banalização da mensagem, os métodos utilizados e a clara intenção comercial por trás disso tudo, nos levam a crer que o tempo do fim está às portas.
Nada que não tenha sido predito pelas Escrituras – mas nem por isso menos difícil de
suportar- e só a Graça Divina pode nos preservar em meio a esse “caos das
seitas”.
Reafirmo: tais monstruosidades, não são exclusividade de nenhuma Igreja Cristã, mas um
fenômeno de dissolução, embrutecimento que está presente onde houver o elemento humano.
Nenhum sistema está livre dessas corrupções, e ai está a história para corroborar isso
de forma contundente!
Resta que cada um procure abrir os olhos, empenhar-se em sua auto-melhoria, e está
disponível a “mudar-se das velhas casas” (pensamentos, conceitos, estruturas)
para um espaço novo. E a humanidade como um todo? Não dá para responder como individuo, mas como dizia o poeta a tendência parece ser que prossigam, “De propósitos a remorsos e de erros a desejos, Os mortais insensatos passeiam sua loucura ” ( John Dryden).
Darckson Lira
Grande Abraço!
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Pr Darckson LiraPreletor e Conferencista Internacional |








