A VERDADE DAS COISAS
Como quase todos os meus artigos são inspirados em situações do dia-a-dia, aqui vai mais um que foi fornecido por alguém muito próximo a mim.
- “Busco a verdade”!
Linda aspiração, eu diria ontologicamente justa, poeticamente bela e humanamente desejada, embora os tolos que buscam não tenham a mínima noção do quanto ela pode lhes custar.
Não estou a me referir às verdades matemáticas, físicas, químicas ou todo aquele conjunto de verdades impessoais mais ligados aos conceitos filosóficos de -Verdadeiro e Falso- que ao âmbito religioso das idéias de - Verdade e Mentira- que gostemos ou não, estão (bem ou mal) entranhadas em nós e compõem nossa herança Judaico-Cristã.
Gosto daquele conto de uma mulher pobre, que passando com seu filho de colo junto a uma caverna, escutou uma voz vinda do interior que dizia: “Entre, pegue o que quiser, mas não esqueça o mais importante”.
Ela entrou e percebeu que o interior da caverna estava cravejado de pérolas e diamantes espraiados pelo chão.
A voz solene mais uma vez se fez ouvir: “Pegue tudo que desejar você só tem mais 15 minutos, mas não esqueça o principal”!
- O principal? Mas os rubis, esmeraldas, safiras e diamantes eram cada um mais belo que o outro, estava difícil escolher o mais importante, e ela enchia os bolsos de seu vestido surrado, enquanto percebia a porta se fechando.
Deslumbrada e atônita percebeu que o tempo se esgotara e em desabalada carreira, conseguiu sair da caverna com diamantes nas mãos e pérolas em seus bolsos.
Foi ai que percebeu a tragédia!
Na ânsia de selecionar o que era mais importante, esqueceu o filhinho que ficou soterrado para sempre...
Moral da estória? Muitas.
Mas penso que a principal pode ser: antes de desejar obter uma verdade ou impor valores, reflita bem, quanto tudo pode custar para você e para outras pessoas que o cercam.
A verdade mais lógica, aquela de irretocável valor epistemológico, a prática que satisfaça nossa curiosidade ou alimente nosso pobre e errante ego em seu senso de justiça, pode nos custar (e aos outros), a verdade “de carne e osso”: aquela que será responsável pelo sofrimento que vamos infligir às pessoas.
Ela pode ter o preço de corações despedaçados, lágrimas de dor, sacrifícios inesperados e renúncias para as quais definitivamente não estamos preparados.
Talvez só o tempo nos ensine que a verdade dos seres viventes, tem uma sutil diferença com relação à verdade das coisas.
Enquanto não assimilarmos essas lições, vamos continuar trocando pessoas por diamantes...
Darckson Lira.
Sugerimos: http://www.darcksonlira.com.br/html/Artigos/artigo2.html
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Pr Darckson LiraPreletor e Conferencista Internacional |








